Escola e Família, um objectivo
O Agrupamento de Escolas de Ponte da Barca,
cuja escola sede é a Escola Básica Integrada de Diogo
Bernardes, é uma unidade organizacional educativa que
abrange todos os Jardins de Infância do concelho, todas as
escolas do 1º ciclo do concelho e as turmas do 2º e 3º ciclo
integradas na já referida EBI de Digo Bernardes.
A
quantidade e a dispersão de salas de aulas, de grupos de
alunos, pelas freguesias do concelho conferem a esta
organização educativa um figurino singular e um leque muito
variado de potencialidades e constrangimentos que podem, em
particular estes últimos, ser visualizáveis na abertura de
um ano lectivo.
Na
sequência do previsto nos documentos orientadores da
Escola/Agrupamento (Projecto Educativo e Projecto
Curricular), e considerando as especificidades do seu
território educativo e dos seus alunos, os órgãos e
estruturas pedagógicas de gestão da Escola/ Agrupamento
desenvolveram desde o passado mês de Julho e até ao início
de Setembro um conjunto de reuniões de programação e
planificação no sentido de adequar a orientação existente à
situação contextual, concelho de Ponte da Barca, e seus
alunos.
É nesta fase do ano que se define o
conjunto de orientações que servirão de base ao arranque e
desenvolvimento do ano lectivo. Questões como a avaliação de
processos e resultados, obtidos no ano lectivo anterior, e
sua eventual, reformulação, a definição do modelo horário da
Escola, da distribuição do serviço docente e não docente,
requisição de professores, planificação dos conteúdos
programáticos, entre outros, são analisadas e definidas
nesta altura do ano.
Entre as matérias a programar no “defeso” do ano
escolar estão incluídas as actividades de acolhimento. No
presente ano, no que concerne à abertura de ano lectivo,
ficam marcadas, no que aos alunos diz respeito, por um
particular enfoque na recepção e integração das crianças que
pela primeira vez frequentam os jardins de infância e o 1º
ano do 1º ciclo.
Ainda no âmbito da recepção aos alunos este ano apostou-se
numa dinâmica motivacional nova que passou pelo convite a
várias individualidades, Presidente da Câmara, Director do
Centro de Saúde, Presidente da Associação de Pais, Equipa de
Saúde Escolar, Professores Aposentados, etc, para
dinamizarem um tempo lectivo de algumas turmas. Esta
iniciativa possibilitou um momento ímpar de aprendizagem e
um despertar para outras áreas e temáticas na perspectiva de
outros actores, algo exteriores à linguagem da escola, mas
com tão vasto currículo.
Falar da diversidade e da dispersão das escolas é também
falar das situações muito diferentes, que encerram
diferentes potencialidades, onde nos podemos confrontar com
diversas insuficiências e constrangimentos.
Desde logo a rede escolas do 1º ciclo é muito antiga e
apresenta sinais de degradação e de desadequação à realidade
presente. Depois com realidades muito diferentes, em
circunstância e dimensão, é necessário criar uma solução
para cada caso, o que torna a “máquina muito pesada”
e difícil de “colocar em andamento” nas condições
ideais.
Em
simultâneo temos em curso um processo de reordenamento que
vem introduzir mais elementos de instabilidade que em nada
auxiliam o já complicado início de um ano lectivo. Por
razões que nos são externas o processo de reordenamento
passou por várias vicissitudes que acarretaram insatisfação,
indefinição e algumas soluções que não agradam a alunos,
pais e professores.
Mas
a Escola é principalmente lugar de projecto, centro de
dinâmicas construtivas e espaço de interacção. Fiel a
práticas desafiantes a Nossa Escola inicia neste ano lectivo
com a intenção de consolidar a sua intervenção em Projectos
como a “Ciência Viva” ou “Educação para a Saúde”, com a
intenção de percorrer novos caminhos no acompanhamento dos
alunos como seja o “Programa de Tutorias” ou, ainda, com
intenção de se articular com outras escolas, com outras
realidades, no caso do “Projecto de Intecâmbios”.
Duas
semanas após o início do ano lectivo a Escola, os seus
profissionais (docentes e não docentes), embora confrontados
com episódios que lhes são menos favoráveis, estão
empenhados no desenvolvimento do Projecto Educativo de
Escola/Agrupamento e convictos e de que este possa ser um
modesto contributo para a mudança do panorama educativo do
concelho de Ponte da Barca, ou parafraseando Paulo Freire,
naquilo que tem sido o mote deste inicio de ano lectivo para
os profissionais deste Agrupamento de Escolas,
“se
a educação não pode tudo, alguma coisa fundamental a
educação pode”
(Paulo Freire, Pedagogia da Autonomia, 1996,
p.126, S. Paulo: Paz e Terra).
No
entanto, a prossecução deste objectivo parece não ser
matéria exclusivamente da responsabilidade da Escola. Outros
actores educativos, outras instituições, forçosamente têm
que contribuir para este esforço de aprendizagem e mudança,
sob o risco do contributo da escola se tornar iníquo.
De
entre os parceiros da Escola evidencia-se a Família. A
mensagem da Escola é de que os pais são determinantes numa
parceria de complementaridade educativa, de que sem eles
a escola que já não pode tudo fica a poder ainda muito
menos.
Se
em alguns meios ainda vinga a ideia de que professores e
pais estão campos opostos é altura de afirmar que, muito
pelo contrário, estão no mesmo campo e jogam, têm de jogar,
na mesma equipa.
Todos os anos novos desafios são colocados à escola. Mas a
escola requer recursos proporcionais às responsabilidades
que lhe são cometidas e requer, acima de tudo,
compreensão pelo seu papel e pelas responsabilidades
acrescidas que todos os anos, e de forma crescente, para ela
são transferidas.
Paulo Américo de Sousa Moreira de Castro
Presidente do Conselho Executivo